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  • Psicólogo Marcelo Garcia de Souza

PSICOLOGIA. BREVE HISTÓRICO E RAMOS DE ATUAÇÃO.

Updated: Dec 3, 2020


Uma expressão muito comum na atualidade é "Psicologia". Mas de fato, o que é psicologia?

Se verificarmos a etimologia (origem das palavras), veremos que "Psic" descende da palavra psique , e significa "Alma" ("ψυχή" em grego, sendo essa primeira letra “ψ”, psi, o símbolo da psicologia). Já "logia" é proveniente de "logos" (também do grego, λόγος), que possui o significado de "razão, conhecimento". Simplificando, "Psicologia", etimologicamente pode ser interpretado como "O Estudo da Alma".

Desse modo, será que já temos uma pista de quando a psicologia teve seu começo?

Inicialmente, em nossa civilização ocidental, quando falamos do tema psicologia, temos o registro das primeiras contribuições para o campo do entendimento do humano na filosofia, com filósofos como Sócrates e Platão.

Em suas filosofias, Sócrates e Platão já tratavam sobre o dilema do humano em suas bases filosóficas, sobre funcionamento, comportamentos, anseios, vontades, enfim, tudo o que cabe ao mundo do psiquismo humano.

Relembrando, podemos considerar a Grécia com nosso berço cultural no acidente; mas imaginem inclusive civilizações milenares que o oriente possui, e que certamente possui estudos e tratados sobre a questão do humano no ramo filosófico. Portanto, afirmar com precisão quando iniciou a psicologia pode ser algo impreciso..

Desse modo, a psicologia como viés filosófico, passa a ser uma das disciplinas mais antigas existentes.

Porém, se pensarmos enquanto ciência à qual compreendemos hoje, sem ater-se apenas ao cunho filosófico, quando surgiu a psicologia?

Com o advento da ciência, ao invés de compreender o ser humano apenas pela filosofia, começou-se a se utilizar de métodos de estudos já em uso pela biologia, ou física, por exemplo (métodos empíricos), transpondo os mesmos métodos científicos à psicologia.

Como marco histórico da nova disciplina de psicologia, podemos dizer que Wilhelm Wundt e Fechner foram quem inauguraram a disciplina, sendo esses pesquisadores da Alemanha. Segundo o livro “História da psicologia moderna (Shultz, 2005), com a obra “Elements of Psychopysics’” (Elementos do Psicofísica) o Autor Fechner em 1860, cria o arcabouço teórico para o surgimento da nova disciplina. Wundt, publicou por partes entre 1858 e 1862 a obra “Contributions to the Theory of sensory perception” (Contribuições para a teoria de percepção sensorial), e aproximadamente quinze anos após inaugurou o primeiro laboratório para o estudo da nova ciência. O Próprio Wundt, que é mais creditado como o “Pai da Psicologia Moderna”, se referia a Fechner como o autor da primeira conquista no campo da psicologia experimental. Segue um trecho da obra de Fechner “Elements of Psychopysics’”:

A psicofísica deve ser entendida neste texto como a teoria exata das relações funcionalmente dependentes do corpo e da alma ou, mais genericamente, do material e do mental, dos universos físico e psicológico.

Considerando como mental, psicológico ou pertencente à alma, tudo o que possa ser captado pela observação introspectiva ou que desse modo que sirva de base para a abstração; enquanto corporal, corpóreo, físico e material, tudo o que possa ser observado de fora ou que assim sirva de base para abstração. Essas designações referem-se exclusivamente aos aspectos do mundo aparente, cujas relações os psicofísicos deverão ocupar-se, visto ser senso comum o uso de observações interna e externa para referir-se às atividades por meio dos quais a existência em si torna-se aparente.

Desse modo, podemos ter uma idéia do teor da nova disciplina (psicologia) que começou a formar seu escopo. Não somente nos aspectos filosóficos, como era composta na época de Sócrates e Platão, mas também com grande cunho fisiológico, promovido pelo ZeitGeist (“espírito da época” nas ciências.)

Com o passar do tempo, principalmente nos Estados Unidos e Europa, começam a surgir mais estudiosos da “recém ciência”. Nos Estados Unidos por volta de 1913, Watson em um manifesto chega a declarar que a psicologia deveria seguir a mesma metodologia aplicada pela ciência, e que seu objeto de estudo deveria ser os fenômenos observáveis. Surge a primeira grande força da psicologia, a “Ciência do Comportamento”. Watson dizia que fenômenos internos (introspectivos) não eram parte essencial de seus estudos, pois não poderiam ser diretamente observáveis. Já o comportamento sim; estudando inclusive outros animais que não o homem, pois eles também possuem comportamento e comprovam a teoria. Skinner, outro grande cientista do comportamento, refinou o estudo e estruturou a ciência do comportamento tal qual a conhecemos hoje.

Porém, a psicologia começa a ser estudada não somente por um viés definido, mas sim por vários, como teorias mais próximas ao funcionamento fisiológico, outras mais focadas aos processos mentais, umas mais deterministas, outras mais criativas, enfim, cada um com um ponto de observação diferente.

Surgiu na Alemanha um movimento contrário a Psicologia comportamental, a Gestalt, cujo foco era a percepção do ser humano, e dentro dessa percepção, como o ser humano constrói sua identidade e realidade. Ainda na Europa, como já dito no post anterior, surge a Psicanálise com Freud, um modelo que adota principalmente o funcionamento dos processos mentais, através das descobertas do inconsciente e do modelo do aparelho psíquico (id, ego e superego) estruturado por Freud. Temos a Psicanálise como a segunda grande força da psicologia.

Já a “Gestalt”, com o autor Fritz Perls, a “Abordagem Centrada na Pessoa” de Carl Rogers, entre outros dissidentes da psicanálise, Criticavam a visão mecanicista e meramente fisiológica da psicologia comportamental, e o determinismo patológico da psicanálise, e criaram o movimento conhecido como “Psicologia Humanista”, a terceira grande força da psicologia, que levava em conta não somente o lado mecanicista ou determinista do ser humano, mas também que suas potencialidades deveriam ser alvo de estudo.

Não que uma abordagem seja melhor que a outra, pois cada uma tem seus próprios pontos fortes e fracos, porém esses autores de certa forma tentavam defender o próprio ponto de vista e provar que a teoria deles estava certa. Hoje, sabemos que cada uma delas tem sua importante contribuição para a ciência psicológica como a conhecemos.

Ainda começa a apontar uma quarta forma na psicologia, a “Psicologia Transpessoal”, estruturada inicialmente por Maslow (aquele autor conhecido pela teoria da pirâmide das necessidades básicas do ser humano). Maslow dizia que a terceira força (psicologia humanista) foi necessária para se chegar a quarta força, sendo esta transcendente ao humano, cujo estudo estaria elevado ao cosmos, a transcendência do ego (ego é um conceito que é primordial na segunda força, com Freud na Psicanálise), e a inclusão do aspecto espiritual na psicologia.

Por ser uma área muito abrangente e que ainda carece de muito de estudo nos meios científicos, está em fase de construção. Não confundamos o aspecto espiritual com o estudo da psicologia das religiões (que pode ser estudada por qualquer viés teórico) mas sim com a nossa constituição em algo maior (difícil de definir, né? Se definir o humano já é difícil, o supra humano é ainda mais…)

O ramo da psicologia que eu mais estudo é a Psicologia Analítica, que foi criada por Carl Gustav Jung. Essa teoria teve seu berço na psicanálise (segunda força, como vimos), pois os estudos do Psiquiatra Jung, foi inicialmente formulado em seu contato com Freud (que já havia começado a construir a psicanálise).

No início, tanto era a aproximação do Jung com Freud que este via em Jung a figura de um filho, aquele que levaria a psicanálise adiante. Jung, na Suíça, usava os métodos da psicanálise em seus pacientes com grande eficácia nos tratamentos. Porém, com o decorrer do tempo, Jung (que chegou a ser o primeiro presidente da associação internacional de psicanálise), e que também era cientista, começou a tirar suas próprias conclusões em seus estudos e experimentos, e seu afastamento da psicanálise foi se concretizando. Jung, da psicanálise, passou a uma abordagem humanista, levando em conta não só os aspectos sombrios do ser humano, como também os aspectos de sua finalidade, de seu objetivo de vida, além de conjecturar sobre aspectos profundos existentes na alma (como os complexos, os arquétipos, a estrutura do inconsciente coletivo, entre outros).

Por vezes, por Jung trabalhar muito com a linguagem dos símbolos na humanidade, é interpretado como “místico” ou “esotérico”. Quem o conhece de fato vê essa ideia como descabida. Jung sim se entregava ao estudo e vivências de conteúdos simbólicos, porém, como grande cientista que era, passava tudo pelo crivo de sua percepção lógica (porém intuitiva) e construiu um dos mais lindos modelos sobre a psique do ser humano que já vimos. Termos como “introvertido e extrovertido” e “complexo”, por exemplo, são termos da teoria Analítica, criados por Jung.

Bom, eu sou suspeito em falar pois psicologia analítica é uma abordagem que tenho grande paixão. Cabe inclusive em próximos posts ir retomando alguns conceitos para entendimento dessa grande teoria sobre nossa psique!

Com todas essas teorias existentes, o profissional de psicologia pode utilizar-se delas para trabalhar em vários seguimentos que a profissão possui, como a psicologia clínica, hospitalar, organizacional, social, educacional, dos esportes, jurídica, trânsito, psicopedagogia, psicomotricidade, e neuropsicologia. Cada um desses ramos de atuação prática podem ser balizados por qualquer uma das abordagens teóricas existentes. Cada um desses campos de atuação tem seu próprio segmento de estudo e prática, porém em qualquer um desses segmentos pode ser utilizado o referencial teórico ao qual o psicólogo se especializou.

Confuso, ou tranquilo? Caso queira perguntar algo, deixe um comentário abaixo que vamos conversando!

Abraço!


Marcelo Garcia de Souza, 16/04/2019

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